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quarta-feira, 23 de março de 2011

Situação do IML só deve ser normalizada no início da próxima semana

Dos 77 corpos que chegaram ao IML desde sábado, 43 foram necropsiados; parentes dos mortos precisam percorrer os 10 km que separam o IML do SVO para conseguir informações

Reprodução / TV Globo
Foto: Reprodução / TV Globo
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O fim da operação-padrão dos médicos legistas, anunciado na terça-feira (22), ainda não representa tranquilidade para quem aguarda necropsias para enterrar os parentes mortos. De acordo com a Secretaria de Defesa Social (SDS), 77 corpos chegaram ao Instituto de Medicina Legal (IML) entre 8h do sábado e 18h de ontem, terça-feira. Desses, 43 foram necropsiados.

Na manhã desta quarta-feira (23), uma reunião entre SDS, IML, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e outras instituições definiu que a realização de exames de corpo de delito no IML já estaria normalizada, mas as necropsias continuam sendo feitas no Serviço de Verificação de Óbito (SVO). As empresas que estão fazendo a limpeza no salão de exames do IML pediram um prazo de sete dias, que deve acabar no sábado, para conclusão dos reparos. A expectativa é de o prédio em Santo Amaro volte a operar normalmente até a próxima terça-feira (29).

PEREGRINAÇÃO
Em busca de informações, as pessoas precisam percorrer a distância de 10 km que separa o IML, no bairro de Santo Amaro, do SVO, onde as necropsias são feitas provisoriamente. As famílias sofrem com a falta de informação, sem saber onde estão os corpos ou quando eles vão ser liberados.

No início desta manhã, seis famílias ainda esperavam notícias. Há oito dias Maria Severina da Silva (foto 6), de Lagoa de Itaenga, espera o corpo do pai, que foi examinado ontem (22), mas estaria, segundo informações, no IML. “Eu tenho fé em deus que meu pai vai ser liberado hoje porque a gente já não tem mais forças”, lamenta. Depois de uma manhã inteira aguardando, ela conseguiu um carro da SDS para levá-la ao IML e buscar o corpo do pai, que estaria liberado.

O agricultor Cícero José da Silva nem recebeu ainda uma senha para retirar o corpo do filho de 23 anos que morreu em um acidente em Gravatá, no Agreste, há oito dias. Ninguém sabe dizer onde o corpo está. “Não sei, não tenho certeza. Eles não disseram nada”, diz ele.

IML
Em Santo Amaro, no IML, parentes dos mortos não escondiam a irritação no setor de informações. O técnico industrial Joás Francisco (foto 5) não consegue enterrar o filho, que foi assassinado na sexta-feira à noite, e o corpo não chegou a seguir para o Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) nem foi necropsiado no IML. “Eles não estão seguindo a sequencia numérica, estão liberando primeiro os corpos que estão em cima”, reclama.

No início da manhã desta quarta-feira (23), homens do Corpo de Bombeiros foram ao prédio para ajudar a levar os corpos para uma câmara frigorífica. Para dar espaço no pátio, os caminhões foram deixados na rua que fica ao lado do Instituto.  O número de policiais militares no prédio também aumentou, embora não tenha sido dada nenhuma explicação para isso – até do lado de fora duplas de policiais se posicionaram.

Há carros de funerárias parados à espera da liberação dos corpos, que não está acontecendo. Um funcionário do IML que não quis se identificar disse que há corpos sendo deixados em sacos plásticos no chão de uma tenda.

MAIS QUEIXAS
A SDS montou um serviço de assistência social para atender as pessoas, mas o sentimento é de que a situação não avança, apesar dos médicos terem voltado a trabalhar. A Secretaria disse que alguns corpos poderiam ser liberados sem a necropsia se a família autorizasse. Mas, mesmo tendo autorizado a liberação sem o exame, Iridiano ainda não conseguiu retirar o corpo do pai, que morreu no último domingo. "Ficam só prometendo pra gente que vai sair. Os corpos dos nossos familiares estão aqui como uma moeda de troca. Se eles aumentam o salário, soltam os corpos; se não aumentam, ficam presos lá dentro. E eu quero perguntar onde é que está o governador da gente, Eduardo Campos. Tá comendo pizza? Eu quero ir lá comer com ele também", protesta.

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